Relatório do UNAIDS alerta para risco de ressurgimento da epidemia de HIV no mundo
Os avanços científicos contra o HIV nunca foram tão promissores, mas o mundo pode estar diante de um novo agravamento da epidemia. É o que alerta o relatório especial “Unidas e Unidos para acabar com a AIDS”, divulgado pelo Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (UNAIDS) durante a 26ª Conferência Internacional de AIDS (AIDS 2026), realizada no Rio de Janeiro.
Segundo o documento, a combinação entre cortes no financiamento internacional, redução dos serviços comunitários e dificuldades de acesso à prevenção pode comprometer décadas de progresso e provocar um ressurgimento da epidemia global de HIV.
Embora as novas infecções e as mortes relacionadas à AIDS estejam nos menores níveis dos últimos 30 anos, o UNAIDS afirma que a resposta global está fragilizada. O objetivo de acabar com a AIDS como ameaça à saúde pública até 2030 corre risco caso não haja retomada da solidariedade internacional e redução das desigualdades.
Em 2025, foram registradas 1,2 milhão de novas infecções por HIV no mundo e 570 mil mortes relacionadas à AIDS.
O alerta do UNAIDS ocorre em um momento em que a comunidade científica busca novas formas de prevenção e tratamento. A conferência no Rio de Janeiro reúne especialistas, ativistas e representantes de governos para discutir estratégias de enfrentamento da doença. A queda no financiamento internacional, especialmente de países doadores, tem sido apontada como um dos principais entraves para manter os programas de prevenção e assistência em regiões mais vulneráveis, como a África Subsaariana.
A redução dos serviços comunitários, que incluem testagem, distribuição de preservativos e acompanhamento de pacientes, também preocupa. Esses serviços são considerados essenciais para alcançar populações de difícil acesso e garantir a continuidade do tratamento. Sem eles, o risco de aumento de novas infecções e de mortes é maior.
O relatório destaca ainda a necessidade de combater o estigma e a discriminação, que ainda afastam muitas pessoas dos serviços de saúde. A desigualdade de acesso a medicamentos e tecnologias de prevenção, como a PrEP (Profilaxia Pré-Exposição), é outro ponto crítico apontado pelo documento. Para o UNAIDS, sem uma ação coordenada e com financiamento adequado, os avanços conquistados nas últimas décadas podem ser perdidos.
