Com o fim do prazo para as convenções partidárias, o Distrito Federal definiu o cenário para a disputa ao governo. Seis candidatos foram lançados pelas principais siglas. A governadora Celina Leão (PP) e o ex-governador José Roberto Arruda (PSD) estão entre os nomes de maior destaque. No campo progressista, o PT lançou Leandro Grass e o PSB aposta em Ricardo Cappelli. A centro-direita também tem representantes na corrida ao Palácio do Buriti: a deputada distrital Paula Belmonte (PSDB) e Kiko Caputo (Novo).
Apesar das candidaturas definidas, a eleição ainda não está totalmente desenhada. Fatores como a crise do Banco Regional de Brasília (BRB), os problemas jurídicos de alguns candidatos e a divisão na esquerda podem mudar o quadro até outubro. Celina começa a disputa com vantagem por ocupar o cargo e ter maior visibilidade, além de contar com a estrutura política herdada de Ibaneis Rocha (MDB). Por outro lado, ela carrega o desgaste da gestão, principalmente em relação ao BRB.
Arruda entra na disputa com capital eleitoral expressivo e uma base conservadora consolidada. Ele pode ser um dos principais concorrentes de Celina, dividindo os votos da direita. No entanto, sua situação jurídica é um ponto de atenção. O ex-governador estava inelegível desde 2014 por causa de um processo de improbidade administrativa ligado à Operação Caixa de Pandora. As mudanças na Lei da Ficha Limpa reduziram o teto de inelegibilidade para oito anos, o que pode permitir sua candidatura. O STF analisa o caso, mas o julgamento está suspenso após pedido de vista do ministro Gilmar Mendes.
No campo progressista, a falta de unidade é um problema. Grass e Cappelli disputam o mesmo eleitorado, o que pode impedir a esquerda de concentrar votos para chegar ao segundo turno. A divisão também afeta recursos, tempo de propaganda e a construção de uma narrativa comum sobre temas como saúde, transporte e a crise do BRB. Kiko Caputo e Paula Belmonte aparecem como alternativas de centro, tentando se posicionar fora da polarização.
Crise no BRB
O BRB enfrenta uma crise financeira após a revelação de fraudes investigadas pela Operação Compliance Zero, da Polícia Federal. As irregularidades envolvem operações com o Banco Master e um prejuízo estimado em R$ 12 bilhões. O banco ainda não divulgou os balanços de 2025, que venceram em 31 de março. Celina fechou um acordo no STF para uma operação de crédito de R$ 6,6 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC), mas os recursos ainda não chegaram ao caixa da instituição.
Para o cientista político Gustavo Javier Castro, a crise do BRB deve ser um tema central nas campanhas. Se o acordo não for concretizado antes das eleições, Celina terá que explicar por que a solução anunciada não produziu resultados. Uma eventual liquidação do banco traria consequências graves, gerando insegurança entre clientes, servidores e empresários. Isso poderia derrubar as intenções de voto da governadora, embora o impacto dependa de como ela conduzir a situação.
Perfil dos candidatos
Celina Leão iniciou a carreira política em 2006 como secretária de Juventude de Brasília. Foi deputada distrital entre 2010 e 2015, presidiu a Câmara Legislativa e cumpriu mandato como deputada federal de 2019 a 2022. Assumiu o governo do DF em março de 2026. É formada em Administração de Empresas e Direito.
José Roberto Arruda foi senador, deputado federal e governador do DF. Engenheiro eletricista pela UNIFEI, sua candidatura foi confirmada pelo PSD em agosto de 2026. Seu projeto foca em melhorias na saúde, segurança e educação.
Leandro Grass é sociólogo e mestre em Desenvolvimento Sustentável pela UnB. Foi deputado distrital e presidente do Iphan. Suas prioridades são saúde pública, redução de filas e fortalecimento dos servidores.
Ricardo Cappelli é jornalista com pós-graduação em Administração Pública pela FGV. Teve passagens pelo Ministério do Esporte, governo do Maranhão e Ministério da Justiça. Promete o programa Fila Zero na saúde e salários maiores para professores.
Kiko Caputo é advogado e ex-presidente da OAB-DF. Defende a modernização do sistema de regulação da saúde e a ampliação de vagas em creches.
Paula Belmonte é administradora de empresas e foi deputada federal antes de ser eleita distrital. Seu projeto foca na primeira infância, geração de empregos e combate à violência contra a mulher.
