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Família com seis dedos torce pelo hexa na Copa

Família com seis dedos torce pelo hexa na Copa

Uma família de Brasília virou notícia por uma característica genética rara. Dos 22 integrantes da família Silva, 14 nasceram com seis dedos nas mãos e nos pés. A condição, chamada polidactilia, se tornou um símbolo de orgulho para o grupo, que se autodenomina “Família Hexa”.

A servidora pública Silvia Santos da Silva, de 63 anos, foi quem deu início à fama da família. Durante a Copa do Mundo de 2014, ela publicou uma foto de sua mão com a legenda: “Eu já sou hexa. O Brasil é que tem que correr atrás”. A postagem viralizou no Facebook e atraiu a atenção de veículos internacionais como Washington Post, USA Today e The Independent.

A condição genética é tão comum na família que altera a expectativa durante uma gravidez. A primeira pergunta não é sobre o sexo do bebê, mas sobre a quantidade de dedos. “Perguntamos se tem seis ou cinco dedos. É uma questão de torcida em prol do seis. Isso desde o ultrassom”, conta o advogado Assis Santos da Silva, de 66 anos, irmão de Silvia.

A história começou com Francisco de Assis Carvalho da Silva, pai de Silvia. Advogado, músico e dono da carteira número 1 do Clube do Choro de Brasília, ele foi apelidado de “Six” e ensinou os filhos a enxergar os dedos extras sem constrangimento. Dos cinco filhos dele, quatro herdaram a característica.

Apesar do orgulho, a vida com seis dedos exige adaptações. Uma das filhas de Silvia retirou o sexto dedo dos pés por dificuldade de usar calçados abertos. Os homens sentem desconforto com sapatos de bico fino. Para escrever, em vez de a caneta ficar entre o polegar e o indicador, eles dividem a mão com dois dedos de um lado e quatro do outro.

A família também despertou o interesse da ciência. Em 2017, Silvia e o filho João de Assis participaram de pesquisas na Universidade de Freiburg, na Alemanha. O estudo, feito em parceria com instituições britânicas e suíças, concluiu que pessoas com seis dedos plenamente desenvolvidos possuem músculos, nervos e áreas cerebrais específicas para controlar o dedo extra. Em vez de sobrecarregar o cérebro, a estrutura amplia as possibilidades de movimento.

Os pesquisadores observaram que os participantes conseguiam realizar tarefas complexas com uma só mão, executando movimentos impossíveis para a maioria das pessoas com cinco dedos. O objetivo do estudo não foi apenas a curiosidade. Os dados devem servir como base para a engenharia e a robótica, ajudando na criação de próteses de aumento para cirurgiões.

João de Assis, hoje engenheiro de software, diz que a experiência foi marcante. “Foi uma oportunidade para descobrir como nossa biomecânica funciona. É bom saber que podemos usar nossa característica para ajudar no desenvolvimento de ferramentas que possam beneficiar outras pessoas no futuro.”

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Sobre o autor: Sofia Almeida

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