O dólar abriu perto da estabilidade nesta terça-feira (28), com os investidores repercutindo a divulgação do IPCA-15 e à espera das decisões de juros do Fed. Às 10h03, a moeda norte-americana avançava 0,03%, cotada a R$ 5,114.
Na véspera, o dólar fechou em alta de 0,62%, a R$ 5,112. Já o Ibovespa encerrou o pregão com avanço de 0,74%, aos 175.334 pontos.
A inflação medida pelo IPCA-15 desacelerou para 0,06% em julho, após registrar alta de 0,41% em junho, segundo dados divulgados nesta terça pelo IBGE. O resultado surpreendeu os analistas ao ficar abaixo da mediana das projeções do mercado financeiro, de 0,22%, segundo a agência Bloomberg. A taxa de 0,06% ficou abaixo do piso das estimativas, de 0,15%.
O grupo alimentação e bebidas registrou queda de 0,66% em julho, exercendo o principal impacto de baixa sobre o IPCA-15. No acumulado de 12 meses, o índice desacelerou para 4,52%, ante 4,8% registrados até junho. Apesar da desaceleração, o IPCA-15 segue acima do teto de 4,5% da meta de inflação perseguida pelo BC para o IPCA.
A divulgação dos dados ocorre uma semana antes da próxima reunião do Copom, do Banco Central, marcada para os dias 4 e 5 de agosto. No encontro, o colegiado decidirá o novo patamar da taxa básica de juros, a Selic, atualmente em 14,25% ao ano.
Bruno Yamashita, analista da Avenue, afirma que os mercados nos Estados Unidos operam próximos da estabilidade na manhã desta terça, após uma sessão mais morna na véspera. Segundo ele, os investidores adotam uma postura de espera antes da decisão de política monetária do Fed e da divulgação dos balanços das grandes empresas de tecnologia. “O mercado está aguardando novos dados para poder, eventualmente, tomar uma nova decisão”, afirma.
O analista acrescenta que o mercado também acompanha os desdobramentos do conflito no Oriente Médio, à espera de possíveis avanços nas negociações entre Estados Unidos e Irã. No último fim de semana, o presidente dos EUA, Donald Trump, suspendeu os ataques pontuais ao Irã após ser advertido pela cúpula militar americana de que a campanha não estava surtindo efeito. Apesar disso, o regime iraniano rejeitou, na segunda-feira (27), retomar as negociações de paz.
A interrupção dos ataques pressionou os preços do petróleo. Na segunda-feira, o Brent, referência internacional da commodity, fechou em queda, com o barril negociado a US$ 88,05 por volta das 17h, recuo de 9,03%. Às 9h51 desta terça-feira (28), o barril era negociado a US$ 86,54, com variação de 2,06%.
Para Otávio Araújo, consultor sênior da ZERO Markets Brasil, o Ibovespa deve abrir a sessão em tom de cautela, com os investidores ainda repercutindo a combinação entre a inflação local, a expectativa para os juros nos EUA e o comportamento das commodities, especialmente petróleo e minério. Segundo o analista, o mercado segue sensível a sinais de deterioração do cenário externo, que podem afetar o apetite por risco e influenciar o dólar e a curva de juros futuros.
Por volta das 10h, a curva de juros futuros operavam em queda. A taxa do DI para janeiro de 2028 estava em 13,910%, recuo de 0,13 ponto percentual. O contrato para janeiro de 2035 estava em 14,605%, queda de 0,09 ponto percentual. Araújo adiciona que os investidores também aguardam o relatório de produção e vendas da Petrobras, previsto para depois do fechamento do mercado, que pode influenciar o desempenho das ações da estatal e, consequentemente, do Ibovespa.
