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Como mulheres moldam ‘A Odisseia’ de Nolan

O poema épico “A Odisseia”, atribuído a Homero, narra a história do guerreiro grego Odisseu, que tenta retornar ao seu reino em Ítaca após anos lutando na Guerra de Troia. Sua jornada de volta dura uma década e é repleta de perigos. A obra chega aos cinemas em uma adaptação dirigida por Christopher Nolan, com Matt Damon no papel principal. No Brasil, a estreia ocorre na quinta-feira (16/07).

Embora o protagonista seja um homem, “A Odisseia” é uma história em que as mulheres têm papel central. A tentativa de Odisseu de voltar para casa e recuperar o reino depende das estratégias, conselhos e seduções das deusas, ninfas e mortais que encontra pelo caminho. Mais do que uma história de heroísmo, a obra aborda sexo, estratégia e poder.

O poema começa com Odisseu preso na ilha de Ogígia, onde vive há sete anos com a ninfa Calipso. Ele aparece derrotado e incapaz de seguir viagem, sendo necessária uma assembleia dos deuses para garantir sua libertação. Odisseu admite que Penélope, sua esposa, não se compara à beleza de Calipso, pois é apenas uma mortal.

Durante a ausência do marido, Penélope resistiu com coragem e astúcia às investidas dos 108 pretendentes que ocuparam o palácio. Ela tecia uma mortalha para o sogro e desfazia o trabalho todas as noites, um dos episódios mais marcantes do poema. Seu sucesso em manter os pretendentes afastados impacta diretamente a capacidade de Odisseu de recuperar o trono.

A principal aliada de Odisseu entre as divindades é Atena, deusa da sabedoria e da estratégia. Ela o ajuda desde a Guerra de Troia e lidera os esforços para levá-lo de volta para casa. Atena esconde a aparência abatida de Odisseu e faz com que ele pareça divino para conquistar a confiança dos feácios, que lhe oferecem abrigo e uma viagem segura.

Entre as criaturas que Odisseu encontra, as figuras femininas são as mais inquietantes. As sereias, com seu canto irresistível, atraíam os homens para a morte. Odisseu ordena que seus companheiros o amarrem ao mastro do navio para ouvir o canto sem se lançar ao mar. Circe, uma feiticeira, transforma os companheiros de Odisseu em porcos, mas também o ajuda em sua jornada.

A mensagem do poema é que monstros femininos e ninfas sedutoras não podem ser ignorados. Para vencer, Odisseu precisa ceder a elas, mas sem ir longe demais. Sua vulnerabilidade às seduções das mulheres é, ao mesmo tempo, sua maior força e sua maior fraqueza, fazendo dele o herói mais humano da Grécia Antiga.

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Sobre o autor: Sofia Almeida

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