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Cão de alerta psiquiátrico renova cuidado na esquizofrenia

Cão de alerta psiquiátrico renova cuidado na esquizofrenia

O uso de cães de alerta médico tem se expandido para novas áreas da saúde. Tradicionalmente empregados no apoio a pessoas com deficiência física, autismo ou diabetes, esses animais agora começam a ser usados na psiquiatria. Eles auxiliam no acompanhamento de transtornos graves como a esquizofrenia, uma condição neurológica e psiquiátrica crônica que altera a percepção da realidade e o comportamento.

O especialista em cães de alerta médico e assistência, Glauco Lima, se destaca nessa área. Ele introduz metodologias para mitigar crises comportamentais e oferecer suporte emocional a pacientes em tratamento contínuo.

Na gestão residencial de pacientes com esse transtorno, detectar instabilidades cedo é o principal fator para o bem-estar. A administradora residencial Paula de Souza, que acompanha o dia a dia de uma tutora com mais de 50 anos diagnosticada com a condição, explica que um dos maiores desafios é reconhecer os primeiros sinais de uma crise. Ela afirma que alterações sutis de humor e inquietação exigem intervenções rápidas das equipes de apoio para evitar que o quadro se agrave.

Para ajudar nessa percepção, foi introduzida na rotina da paciente a cadela Luna, uma Goldendoodle nascida nos Estados Unidos. Ela passa por formação intensiva desde 2024 para atuar como cão de serviço psiquiátrico. O treinador Glauco Lima detalha que o treinamento envolve socialização, estabilidade emocional e a capacidade de identificar padrões comportamentais que indiquem ansiedade, agitação ou alterações emocionais. O animal é condicionado a emitir sinais claros para a tutora e a equipe quando detecta desvios da normalidade.

Um diferencial do trabalho é que a capacitação vai além da relação entre o cão e a paciente. Paula de Souza sinaliza que Glauco Lima também passou a treinar todos os profissionais que convivem com a paciente. Cuidadoras, cozinheira, motoristas e equipe de limpeza participam do aprendizado para alinhar as respostas e manter a consistência do método.

A presença de Luna trouxe avanços na rotina da paciente. Paula de Souza afirma que a cadela trouxe mais tranquilidade para a residência. Ela reforça que Luna não substitui os profissionais de saúde ou cuidadores, mas atua como uma camada de acolhimento e monitoramento dentro do protocolo terapêutico.

O trabalho de Glauco Lima também inclui projetos com alertas metabólicos, como cães treinados para identificar oscilações glicêmicas em pacientes diabéticos pelo olfato. Ele ressalta que muitas pessoas ainda associam cães de assistência apenas a deficiências físicas ou visuais, mas já existem trabalhos para diversas condições médicas e psiquiátricas. Cada plano de treinamento é customizado para atender as necessidades de cada indivíduo e respeitar o bem-estar do animal.

Paula de Souza conclui que ver um trabalho técnico, desenvolvido com responsabilidade e ciência, contribuir para a qualidade de vida de uma pessoa com esquizofrenia reforça a convicção de que os cães de serviço são um recurso de grande valor. Ela sinaliza que o alinhamento entre tecnologia comportamental, ciência médica e sensibilidade animal abre caminhos para o cuidado integrado.

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Sobre o autor: Sofia Almeida

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