Brasil busca quartas de final no Mundial de basquete de 2027
Técnico Aleksandar Petrovic projeta seleção mais competitiva e menos dependente da NBA antes de duelo com a República Dominicana
O técnico Aleksandar Petrovic afirmou que a seleção brasileira masculina de basquete tem condições de alcançar ao menos as quartas de final na Copa do Mundo de 2027, marcada para o Catar. A declaração foi dada em entrevista à Folha de S.Paulo antes do confronto contra a República Dominicana, nesta quinta feira (27), na Arena Nilson Nelson, em Brasília, pela segunda fase das eliminatórias.
O croata de 67 anos comanda a equipe pela segunda vez, depois de um primeiro ciclo que terminou nas eliminatórias do Mundial de 2019. Ele reassumiu o cargo em 2024, no lugar de Gustavo de Conti, e hoje vê um time em posição mais alta: o Brasil ocupa o nono lugar no ranking da Fiba, a federação internacional da modalidade.
Na primeira fase das eliminatórias sul-americanas, a equipe venceu todos os seis jogos disputados. Antes disso, o grupo havia caído nas quartas de final dos Jogos Olímpicos de Paris diante dos Estados Unidos e conquistado a AmeriCup, resultados que embasam a expectativa do treinador para o ciclo seguinte.
Menos NBA, mais jogadores espalhados pelo mundo
Segundo Petrovic, o time atual é menos dependente de atletas da NBA do que gerações anteriores, quando nomes como Leandrinho, Anderson Varejão, Nenê e Tiago Splitter formavam a espinha dorsal da seleção que disputou as Olimpíadas de Londres, em 2012, e do Rio de Janeiro, em 2016. Hoje, Gui Santos é o único jogador brasileiro atuando na liga norte-americana, mas não foi liberado pelo Golden State Warriors para esta janela de jogos.
Para o treinador, isso não representa um enfraquecimento. Ele destacou que oito dos 17 convocados jogam no Brasil, sete atuam no exterior (em países como Espanha, Israel, Japão, Taiwan e México, além da liga universitária norte-americana) e dois estão sem clube no momento, entre eles os experientes Raulzinho Neto e Bruno Caboclo.
"A liga no Brasil é muito mais competitiva, muito mais tática, muito mais orientada defensivamente, e isso ajuda muito", disse Petrovic à Folha de S.Paulo.
O técnico também citou a abertura de oportunidades para jovens brasileiros disputarem competições universitárias nos Estados Unidos e ligas europeias como fator de amadurecimento da equipe em relação a oito anos atrás.
Caminho olímpico e comparação com rivais
Uma boa campanha no Mundial de 2027 tem peso duplo para o Brasil: além do resultado esportivo, pode garantir vaga direta para os Jogos Olímpicos de Los Angeles, em 2028. Como os Estados Unidos, país sede, já têm classificação assegurada, as duas melhores seleções americanas no torneio mundial avançam automaticamente para a Olimpíada, sem precisar disputar o pré-olímpico.
Petrovic afirmou considerar essa rota preferível à repescagem, torneio que já disputou tanto pelo Brasil quanto pela Croácia. Segundo ele, os principais concorrentes da América nessa briga por vaga direta são Canadá, Argentina e República Dominicana.
O treinador colocou o Brasil entre um grupo de cerca de dez seleções com chances reais de brigar por posições de destaque no Mundial, ao lado de potências como Alemanha, Sérvia, França, Turquia, Austrália, Canadá e Estados Unidos. Para ele, a distância técnica entre essas equipes e o restante do pelotão diminuiu nos últimos anos.
Sobre a rivalidade direta na América do Sul, Petrovic lembrou que o Brasil venceu a Argentina nas três vezes em que as seleções se enfrentaram sob seu comando recente. A avaliação do técnico é que a equipe brasileira pode até ultrapassar os argentinos no ranking da Fiba, hoje na oitava posição, encerrando um período de décadas em que o país esteve atrás da geração que teve Manu Ginóbili e Luis Scola como principais nomes.
O que vem pela frente
Depois do duelo com a República Dominicana em Brasília, a seleção brasileira enfrenta o México na próxima segunda feira (31), na Cidade do México, dando sequência à segunda fase das eliminatórias para o Mundial de 2027. A competição segue em formato de confrontos de ida e volta contra os principais rivais do continente, incluindo também os Estados Unidos.
Para o torcedor que acompanha o ciclo, os próximos resultados nas eliminatórias servem como termômetro imediato das declarações de Petrovic: vitórias consistentes contra Dominicana e México reforçariam a meta de classificação direta olímpica, enquanto tropeços reabririam a discussão sobre a necessidade de disputar o pré-olímpico. A federação ainda não divulgou a lista completa de convocados para os jogos futuros, e o calendário completo das eliminatórias segue sendo definido pela Fiba conforme os resultados avançam.
Fontes consultadas
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