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“É preciso aliar os princípios de solidariedade ao respeito às leis”

 

“Diante a grandes fluxos migratórios, que interessam inclusive o nosso país, é necessário aliar os princípios de solidariedade ao respeito às leis, até para evitar que os recém-chegados disturbem a tradição cultural e religiosa do País e a convivência social”, disse o papa Bento XVI durante uma audiência com os membros da Associação Nacional dos Prefeitos Italianos, na Sala Clementina do Vaticano.

“Esta exigência é percebida de modo particular por vocês que, por serem administradores locais estão mais próximos da vida cotidiana das pessoas. De vocês espera-se sempre um empenho especial ao serviço público prestado aos cidadãos, por serem promotores de colaboração, de solidariedade e humanidade”, disse Bento XVI

No envelope do pedido para pedir a renovação do "permesso di soggiorno" não é necessário mais inserir todas as páginas do passaporte. Bastam os dados “anagrafici”.

 

 

Roma, 14 de março de 2011- Uma burocracia a menos para renovar o “permesso di soggiorno”. Até agora, no envelope com o pedido que se apresenta nas agências postais era necessário inserir a fotocópia de todo o passaporte, incluindo as páginas brancas. Um procedimento inútil, que o Ministério do Interior decidiu dispensar. A partir de agora, bastará inserir somente a fotocópia das páginas com a foto e com os dados “anagrafici” (nome, sobrenome, data de nascimento etc).

 

O ministério já repassou o comunicado ao Correio Italiano, e este a todos os “sportelli” que recebem os pedidos para os “permessi di soggiorno”. No momento da apresentação, os funcionários deverão, de qualquer forma, verificar se no passaporte consta o visto de ingresso. Também deverão efetuar todos os outros controles previstos para cada tipologia de pedido.

 

Os pedidos para a concessão do primeiro “permesso di soggiorno”, bem como de renovação, são apresentados há mais de quatro nos Correios, que conta com seis mil “sportelli” habilitados para prestar este tipo de serviço. Antes, eram apresentados nas “Questure”, pouco mais de 100, criando longas filas.

 

Pedir ou renovar a autorização de permanência hoje custa 60 euros, metade vai para a caixa do Estado e a outra ao Correio Italiano. Isto enquanto se espera uma nova taxa sobre os “permessi di soggiorno”, de 80 para 200 euros. O aumento, já previsto pela lei, ainda não entrou em vigor por falta um decreto que defina os particulares.

 

Elvio Pasca

 

 

Cem soldados irão integrar os serviços de ordem pública relacionados ao desembarque de imigrantes

Cem soldados do exército serão enviados à ilha de Lampedusa nos próximos dias para integrarem o serviço de ordem pública relacionado ao desembarque de imigrantes clandestinos. Outros 50 soldados serão enviados a Mineo, na Provícnia de Catania, para onde serão transferidos os estrangeiros que solicitarem asilo político.

O ministro da Defesa, Ignazio La Russa, afirmou ter disponibilizado, ao todo, 200 militares. “A tranferência dos soldados depende da decisão de cada 'Preffetura' envolvida com o problema dos desembarques clandestinos”.

A decisão de envolver o exértio foi criticada pelo sindicato Cigl da Sícilia. “Acreditamos que a situação atual, por mais difícil que seja, não atingiu, pelo menos por enquanto, níveis de emergência como afirma o ministro do Interior, Roberto Maroni”, diz uma nota divulgada pelo sindicato. “Certamente, a situação está em evolução e deve ser monitorada para permitir intervenções adequadas. Entretanto, queremos saber de que forma o exército pode ser útil”, questiona a Cigl.

 


Mesmo com o rosto visível, hotel de Rimini afirma seguir padrões internacionais

Uma jovem muçulmana, estudante de hotelaria do Istituto Alberghiero Malatesta, foi recusada com o estagiária por usar o véu islâmico. Assim como seus colegas de curso, a jovem havia solicitado uma vaga como estagiária em um hotel em Marina di Ravenna para completar o percurso didático que requer um mínimo de três semanas de estágio para poder obter o diploma.

O tipo de véu utilizado é o “chador”, que cobre apenas a cabeça deixando o rosto visível, mas para a administração do hotel “Sporting” é suficiente para não aceitá-la entre seus funcionários.

O diretor do hotel, Mattia Palazzi, nega as acusações de intolerância religiosa. ”O hotel segue padrões internacionais de hospitalidade, que não têm nada a ver com opções políticas ou crenças religiosas”, disse em uma entrevista ao jornal Resto del Carlino. Segundo ele, entre estas regras estaria a que prevê a ausência de símbolos religiosos no vestuário dos funcionários, o que seria “confirmado inclusive por especialistas em turismo internacional”.

Se não encontrar outra estrutura interessada em mantê-la como estagiária pelo período exigido pelo curso, a estudante corre o risco de não conseguir obter o seu sonhado diploma.

Os imigrantes, sobretudo aqueles que desembarcam na costa italiana, correm o risco de contrair tuberculose 10 a 15 vezes mais que italianos.

 

 

Roma, 14 de março de 2011 - A tuberculose volta a difundir medo também na Itália. Oficialmente, o país registra 4.500 novos casos por ano. Mas quando se considera a cota de submersos, as estimativas apontam índices entre 7 e 8 mil, metade dos quais se refere à população imigrante. Os dados foram divulgados por Giorgio Besozzi, diretor do Centro de Formação Permanente para Tubercoloses Villa Marelli, do Hospital Niguarda de Milão, e  membro da diretoria da organização Stop TB.

 

Os novos portadores do bacilo, informa Besozzi, chegam sobretudo do Norte da África e do Leste da Europa, onde o número de casos dobrou nos últimos 10 anos. Os doentes diagnósticados na Itália são em maior número os cidadãos romenos (11% do total dos casos nacionais) e  marroquinos (5%), seguidos de imigrantes oriundos do Senegal, do Peru e do Paquistão. A emergencia, afirma o diretor do Centro, poderia agravar ainda mais com a chegada de migrantes que fogem da crise norte-africana.

 

Besozzi explica que os imigrantes, em fuga das zonas onde a tuberculose é endemica,  desembarcam na costa da Península Itálica com baixas defesas imunológicas e correm o risco de contrair tuberculose 10 a 15 vezes mais que a população italiana. Além disso, constituem aquele grupo que são mais expostos a formas de tuberculoses resistentes aos medicamentos, que cada ano registram no mundo 440 mil casos e uma média de 150 mil mortos.

 

No dia 23 de março, véspera da Dia Mundial da Tuberculose, membros da Federação italiana contra as doenças pulmonares sociais e a tuberculose (Fimpst), da Stop TB Itália Onlus e da Lilly MDR-TB Partnership deverão  se reunir em Roma para  entender  onde estão os "buracos negros" na luta contra a Tbc e quais são as áreas que mais necessitam de políticas de suporte.

 

Entre os pontos já detectados pelos especialistas constatam "a carência no monitoramento e controle da doença, o limitado acesso  às terapias mais eficazes, além do fato que os  médicos não estão habituados com os sintomas da doença, frequentemente confundida com outras patologias".

 

Empresa volta atrás e elimina o requisito “nacionalidade” para determinar o preço do seguro

A companhia de seguros Genialloyd, processada por discriminação por ter cobrado mais caro o seguro automobilístico de um cliente somente por ele ser imigrante, decidiu aceitar o acordo extra-judicial e ressarcir a vítima por danos morais antes que o Tribunal se manifestasse sobre o caso.

O processo teve início em novembro do ano passado quando um tunisiano de 47 anos, residente regularmente na Itália há 16 anos, teve a sua apólice de seguro “Rca” aumentada de 170 euros semestrais apenas por ser imigrante.

Segundo a vítima de discriminação, a companhia teria mudado o orçamento depois de verificar a nacionalidade do cliente. Inicialmente a Gennialoyd tentou se defender alegando que o tunisiano deveria pagar mais porque alguns dados estatísticos demonstrariam que a média de acidentes de trânsito em países extracomunitários é maior do que a média italiana e europeia.

De acordo com a defesa da companhia, estes dados seriam suficientes para justificar a aplicação de uma “taxa extra” no preço do seguro, por tratar-se de um “necessária diferenciação e não uma discriminação”. Em um segundo momento, porém, a companhia preferiu rever a própria decisão e realizar um acordo econômico para que o cliente encerrasse o processo judicial.

Através de seus representantes, a empresa afirmou ainda que irá eliminar o requisito “nacionalidade” da lista de parâmetros que usa para estabelecer o preço do seguro a seus clientes.


M. I.

 

Desde o dia 15 de janeiro, mais de 8 mil pessoas provenientes da Tunísia desembarcaram na Itália

O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados divulgou uma nota onde elogia o trabalho realizado pelo governo italiano com relação ao acolhimento dos imigrantes tunisianos que desembarcaram no país nos últimos dias.
Desde o dia 15 de janeiro, mais de 8 mil pessoas provenientes da Tunísia desembarcaram na Itália, principalmente na ilha de Lampedusa. Trata-se, na maioria, de homens jovens que imigraram por motivos econômicos, e apenas uma pequena parte manifestou intenção de receber asilo político.

A UNHCR (sigla em inglês para o Alto Comissariado da ONU) recomenda ao govern o italiano que continue a incrementar a transferência dos imigrantes que chegam à Lampedusa para os demais centros de acolhimento presentes no país. “Penso que seja muito positivo que a Itália esteja organizando planos de intervenção focalizados a resolver os atuais e futuros ingressos de pessoas provenientes do Norte da África”, afirmou o delegado do UNHCR para a Europa, Larens Jolles.

 “No momento, o maior fluxo - mais de 200 mil - é o de pessoas que escapam da Líbia em direção aos países fronteiriços, principalmente Tunísia e Egito. A maioria são cidadãos destes dois países, mas há também milhares de estrangeiros que trabalhavam na Líbia e que estão tentando retornar ao proprio país de origem”, diz Jolles.

“É provável que um elevado número de pessoas ainda chegue ao litoral italiano nos próximos dias. Esta situação representa um importante desafio para a Itália e esperamos que o país receba apoio também da própria União Eropéia”, afirmou. O comissário disse ainda que UNHCR ofereceu a própria disponibilidade em colaborar com a Itália na gestão de eventuais emergências.

“Em âmbito mundial, a UNHCR recebeu com satisfação a rápida reação da comunidade internacional em participar do trabalho logístico para facilitar a evacuação humanitária dos trabalhadores estrangeiros fugidos da Líbia para a Tunísia e que estão impossibilitados de seguirem para os seus países de origem. A Itália também ofereceu o próprio apoio neste âmbito, colocando a disposição voos para favorecer as repatriações”, disse Jolles.


M.I.

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